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Israelita massacre
Beit Hanoun : ”Eles atiram sobre tudo que se mexe”!

Um jovem Palestino testemunha

“A cidade de Beit Hanoun, com seus 30.000 habitantes já é objeto de agressões cotidianas e ataque aéreos desde 25 de junho.
Agora ela está cercada por tropas israelenses no solo. Nós temos visto os tanques avançarem, se colocarem em posição.”

3 de Novembro de 2006 | - : Gaza Palestine Crimes de guerre


(IMEMC)

Nós estamos agora cercados por cerca de 70 tanques e pelo menos 450 soldados que anunciaram que a cidade é “zona militar fechada”. O que quer dizer que ninguém pode sair.

Ninguém pode fugir.

Esta é uma ofensiva no modêlo daquela feita em 2002 na Cisjordânia (West Bank). Nós não temos água, eletricidade. A gente se coloca nos cantos mais recuados da casa. As ambulâncias não são autorizadas à entrarem nesta zona ocupada e fechada.

Os soldados cercaram as casas que eles querem invadir. Eles ocuparam casas e fecharam as famílias numa peça só. Agora , eles usam como fortaleza. Eles furam as paredes com explosivos, fazem saltar as portas, e as pessoas estão aterrorizadas.
Eles atiram em qualquer pessoa que se mexer.

Ontem, eles atiraram nas pessoas que tentavam se colocar num abrigo, que não estavam em posição de combate. Eles atiraram nas suas costas, e quando aquele que estava ferido tentava fugir, eles o matavam; e aqueles que tentavam recolher seu corpo foram também alvejados.

Em numerosos casos, as ambulâmcias não puderam ir em socorro dos feridos. As crianças que escapam da vigilância dos seus pais ou que olham pela janela são mortas pelos soldados israelenses postados sobre os tetos das casas que eles ocupam.

Eles tem o sinal verde de Bush para nos matar e destes políticos que afirmaram que Israel “tem o direito de se defender”.

Eles fazem uso de armas que transformam os mortos e feridos em qualquer coisa de monstruoso. É muito impressionante os ferimentos provocados pelos mísseis lançados pelos aviões sem piloto. São cortes como feito por lâminas, as pernas, pés, mãos cortadas de forma precisa; elas são tão assustadoras quanto os ferimentos dos fuzís M 16.

Os soldados tem ordem de atirar na parte superior do corpo : eles miram o peito, perto do coração, a cabeça.

As vítimas são na sua maioria civis, mortos ou feridos na garganta, no pescoço, no peito, na cabeça; enquanto estavam em casa.

Eles atiram em gente que foge de mêdo; eles atiram em feridos que procuram se salvar. Nós perdemos a noção do tempo, nós não sabemos a quanto tempo nós fomos pegos nesta guerra. A gente se sente perdido.

Tem aviões que bombardeiam, aviões sem piloto (drone), que estão prontos à atirar seus mísseis sobre nossas cabeças. Eles controlam toda zona. Com o zumbido dos aviões sem piloto (drones), a gente tem o sentimento de ter o tempo todo uma abelha no ouvido. É verdadeiramente difícil.

Não tem ninguém para nos defender. Nós não temos exército. Nós não temos senão nossos pais para nos defender sabendo que eles vão à morte, que eles não podem nos defender.

Esta nova agressão é terrível sobretudo para as crianças pequenas, que ficam aterrorizadas e gritam quando ocorrem bombardeios.

Nós ficamos sabendo toda hora que há mortos, que há feridos banhados no próprio sangue, e que as pessoas não conseguem parar a hemorragia, e que as ambulâncias não podem socorrê-las.

É preciso que a Cruz Vermelha obrigue os israelenses à aceitarem que as ambulâncias palestinas possam ir em socorro dos feridos sem entraves.

Os israelenses dizem que eles estão fazendo esta ofensiva para impedir a entrada de armas pelo Egito. Isso é falso. Nada pode entrar. Não tem em Gaza senão fuzis que não podem nada contra os Apaches (helicópteros) e os tanques Merkava do exército israelense.

As armas de guerra que entraram em Gaza, são estas que Israel e os Estados Unidos (EUA) entregaram à Dahlan, que é o homem de Abu Mazen; o homem mais temido aqui em Gaza. Ele está na liderança das forças que, após meses, criam problemas para fazer cair o governo do Hamas.

Ontem, os soldados convocaram, pelos alto-falantes todos os homens de idade a partir de quinze anos à saírem de suas casas. Eles foram, por locais, revistando casas por casa, algemando e embarcando centenas de homens num local onde eles serão certamente obrigados à se despirem, como fizeram em Beitlahya em junho. Eles deixaram os homens de cuecas.

Para um oriental isso é a mais insuportável das humilhações. Mais do que nos matar.

Nós pensamos que após Beit Hanoun eles vão atacar Beit Lahiya, e depois Jabaliya, e fazer o que eles fazem aqui : revistar casa após casa. Beit Hanoun como Rafah são zonas vulneráveis, porque são separadas geográficamente das outras zonas habitadas, então mais fácil de isolar do resto de Gaza.

Esta manhã, as mulheres saíram para correr em socorro de seus filhos ou maridos que estavam ameaçados pelos blindados que cercavam a mesquita. As mulheres então desafiaram os Apaches e os tanques. Isto foi para nós um momento formidável. A gente se sentiu envolvidos por um véu de humanidade. Foi um momento muito forte ver estas mulheres que estavam prontas à morrer para salvarem seus homens.

Elas continuaram sem hesitar e os soldados que não esperavam por isso ficaram desorientados. Graças à este efeito surpresa elas salvaram a vida de seus homens.

Elas mostraram que o maior exército do mundo pode ser vencido por pessoas de mãos vazias. Nós percebemos isso como uma mensagem endereçada aos homens dos países árabes que continuam em silencio.

Esta mulheres disseram, com seu gesto :”Vejam, diante da sua covardia, as mulheres palestinas são as únicas que estão lutando para libertar seus homens cercados pelo inimigo dos árabes; Israel”.

(Fim do testemunho)

Eles fazem a guerra contra civis e o mundo não sabe.

O jovem palestino que nos contou tudo isso com sua voz baixa nos despedaçou o coração. Ele não poderia render uma melhor homenagem à estas mulheres heróicas.

Eu acredito que todos aqueles que viram as imagens destas mulheres ficaram emocionados. Elas se lançaram ao longo desta imensa avenida, à descoberto, mãos vazias, desafiando helicópteros e blindados para protegerem seus homens.

Os soldados, atiraram nelas mas elas continuaram e atingiram seu objetivo.

Os soldados que atiraram dos seus blindados nestas mulheres inofensivas, são monstros.

“Israel tem o direito de se defender” respondia nesta manhã o ex embaixador Elie Barnavi ao jornalista da France culture que lhe perguntava o que significava a ofensiva israelense ao norte de Gaza.

Mas o direito de se defender contra quem ?

Não existe exército palestino em frente. Há um povo massacrado dia após dia pelo exército melhor equipado do mundo. E os Palestinos não tem o Direito de se defender.

É o Povo Palestino vítima dos massacres que ele deveria perguntar o que significa viver sob ofensiva militar israelense, e não aos embaixadores do Estado judeu de Israel.

Os embaixadores que jamais vão lhe dizer, quando se trata de vidas árabes, o sofrimento e a angustia das crianças atiradas no mêdo, das mulheres que não sabem como protegê-las, dos velhos que sofrem impotentes, bebes que berram, mulheres grávidas que temem por sua gravidez, feridos, mortos, mães que choram os seus , homens que se sentem humilhados por não poderem defender suas crianças, médicos que não agüentam mais verem tanto sangue correr e feridos se juntarem aos feridos dos hospitais mal equipados.

Estes “terroristas”, estes “ativistas” que Israel combate; são os Palestinos; os autênticos residentes de uma nação que Israel apagou do mapa, um Povo expulso de sua terra, fechados em Campos miseráveis.

São mulheres de todas as idades que enfrentam os tanques para protegerem seus filhos.

São crianças que morrem na sua cama ou brincando diante de sua porta.

São pais, irmãos, primos, esposos sumariamente executados porque Israel os colocou nas listas de “procurados”.

São jovens desesperados com, para defender sua dignidade com, os fuzis e foguetes rudimentares, e que sabem que eles vão em direção da morte quando colocam o nariz para fora.

Como a criança Bara’ Riyad Fayyad, de 4 anos de idade, morta diante da porta de sua casa.

São pessoas totalmente normais, que votaram de forma totalmente democrática contra as autoridade corruptas do Fatah.

“Onde estão nossos irmãos árabes?”, gritava uma mulher diante de uma câmera.

Onde está o mundo ?

“A comunidade internacional se cala, ficam chocadas as pessoas que olham tudo isso com mêdo e se surpreendem com esse silêncio.

Mas, a “comunidade internacional”, tão freqüentemente invocada, não é senão uma palavra sem sentido. E a ONU depois da queda da URSS não é senão um instrumento nas mãos da super-potência estadunidense.

De fato, a “comunidade internacional”, somos nós; são estas associações que estão infelizmente muito mais ligadas à protegerem as conquistas do Estado judeu de Israel do que o Direito dos Palestinos à existirem, ou seja, à voltarem para casa; são estes partidos políticos, de todas tendências misturadas, muito ocupados em se deslocarem no tabuleiro do xadrez eleitoral; são os eleitos que não ousam criticar Israel por mêdo de serem acusados de anti-semitismo; são estes jornalistas que desinformam a opinião pública e escondem os crimes de Estado.

Silvia Cattori